Será que posso aumentar o preço do meu hotel em 2019?

  Publicado em Gestão de receitas

Quando perguntamos ao Google se «viajar está a ficar mais caro?», recebemos uma resposta com 500 milhões de resultados. Não é uma surpresa que os primeiros 10 resultados sejam totalmente dedicados aos preços de voos e não aos preços de hotéis.

Por todo o mundo podemos ler manchetes de jornais alarmistas que avisam os viajantes da subida dos custos associados às viagens de avião, devido ao aumento do preço do combustível e à subsequente pressão sobre os lucros das companhias aéreas.

Em junho deste ano, a Delta Airlines disse aos seus acionistas que os preços tinham sofrido um vertiginoso aumento de 50% durante o primeiro semestre de 2018, o que forçou a companhia a reduzir a sua previsão de lucro. A Delta Airlines não é certamente a exceção neste momento de desafios. Muitas outras companhias aéreas, incluindo a American Airlines, a Air France-KLM e a Southwest Airlines emitiram avisos sobre os seus lucros no primeiro semestre deste ano.

Ao nível global, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sua sigla em inglês), que representa cerca de 280 transportadoras, prevê que o sector apresente lucros 12% abaixo da anterior previsão de 38,4 mil milhões de dólares – prova irrefutável de que se o custo do petróleo subir, todo o sector será abalado.

Uma das dificuldades das companhias aéreas é saber como gerar lucro perante a subida do preço do combustível. Repassar esse aumento aos passageiros através do aumento do preço dos bilhetes é uma das poucas opções disponíveis.

Já o sector hoteleiro tem uma relação diferente com os preços e, por vezes, uma relação bem mais complexa. Isto porque está mais centrado no estabelecimento individual. Tudo, desde a sua localização até à classificação dos hóspedes no TripAdvisor, pesa na hora de definir o preço.

O que provoca a flutuação dos preços de hotéis?

Ainda que sujeitos a previsões menos alarmistas, é óbvio que os preços de hotéis também sobem e descem. Esta oscilação está mais dependente da lei da oferta e da procura do que do preço do barril.

Como todos sabemos, a oferta é a quantidade de serviço oferecido pelo mercado e a procura é quanto o mercado está disposto a pagar por esse serviço.

Atribuir as flutuações dos preços de hotéis unicamente a esta teoria seria demasiado simplista, porém, é um bom ponto de partida para os hoteleiros. Há muito tempo que os economistas defendem que a melhor forma de distribuir recursos, neste caso o preço dos hotéis, é deixar que oferta e a procura decidam por si só.

Além da localização e reputação on-line, o preço do seu hotel será afetado por:

Época do ano
É época alta ou época baixa? Se for uma temporada calma, poderá baixar os preços para atrair mais hóspedes. Se estiver no pico da época alta e os hotéis locais estiverem praticamente lotados, poderá dar-se ao luxo de cobrar mais aos seus hóspedes. Também compensa seguir atentamente as previsões meteorológicas a longo prazo.

Tipo de quartos disponíveis
Quartos diferentes exigem preços diferentes e aqui poderá ser criativo com os seus pacotes e ofertas. Um bom gestor de canais permite vender o mesmo quarto de formas diferentes nos seus canais on-line. Por exemplo, uma suite de luxo poderá incluir «pequeno-almoço e visita guiada da cidade» em vez de anunciar apenas uma «suite de luxo». As possibilidades são ilimitadas. Ou quase.

Grandes eventos nas proximidades
Saber o que está a acontecer dentro e fora do seu hotel é crucial para definir um preço de quarto de forma mais precisa. Se o seu hotel for em Lisboa e souber que o Web Summit se realiza todos os anos em novembro, então comece a comparar logo os preços da concorrência. Siga as tendências dos preços e use pensamento estratégico. Tem duas opções, ou lucrar com a vinda de fãs de tecnologia ou deixar que receitas consideráveis passem ao seu lado.

Será que posso aumentar o preço do meu hotel em 2019?

Há pouca vantagem em estar sempre a monitorizar estas flutuações se não tomar medidas preventivas.

Alguns hoteleiros mais perspicazes estão a usar a informação que têm à sua disposição, quer através das suas próprias investigações e análise da concorrência, quer através da ferramenta de preços inteligente para gerir os estabelecimentos e ajudar a validar as suas decisões.

Embora os preços de hotéis sejam influenciados por muitos fatores, o destino continua a ser um dos mais importantes. Os valores apresentados pela OMT preveem que os números dos viajantes internacionais irão aumentar em 5% este ano, depois de 2017 ter assistido a um número recorde de 1,3 mil milhões de turistas internacionais. Quanto mais pessoas viajam para um determinado destino, maior a procura de hotéis. O problema é que nem todos os destinos são igualmente desejáveis.

O último relatório do departamento de Viagens de Negócio Globais da American Express, que analisou os preços de hotéis em 150 cidades internacionais, indica quais os destinos que estão em posição de aumentar os seus preços em 2019.

As previsões dos especialistas do mercado de turismo da American Express para o próximo ano são:

Preços de hotéis na Europa em 2019
As maiores subidas
Dublin +7%
Paris +6%

Se o seu hotel estiver localizado em Dublin ou Paris, então está com sorte.

O governo francês está a apostar num objetivo turístico ambicioso, 100 milhões de visitantes até 2020. Os hotéis em Paris e nas áreas circundantes podem contar com um grande número de hóspedes graças à maior rapidez na atribuição de vistos.

Na Irlanda, Dublin deve beneficiar grandemente com o Brexit, já que a previsão do aumento da oferta de quartos é mínima, o que fará aumentar as taxas médias diárias (ADR). A cidade verá um aumento no número de viajantes de negócios, especialmente porque se prevê que os preços de hotéis em Londres permaneçam inalterados em 2019, devido ao impacto negativo do Brexit.

Outras subidas notáveis nos preços de hotéis na Europa:
Bruxelas, Amesterdão e Madrid +3%
Estocolmo, Frankfurt, Munique, Roma +2%

Preços de hotéis na América do Norte em 2019
As maiores subidas:
Toronto +7%
Chicago +6%

O turismo do Canadá está em excelente forma graças às iniciativas lançadas este ano para atrair viajantes chineses. É muito provável que Toronto e Vancouver sejam os destinos mais visitados pelos turistas chineses, o que significa que os hotéis nestas duas cidades poderão colher os frutos deste segmento lucrativo. A procura de hotéis em Toronto é particularmente alta e o próspero centro financeiro da cidade atrairá um maior número de viajantes de negócios para hotéis mais sofisticados e de luxo.

As taxas de ocupação em Chicago estão a alcançar picos recorde e o centro da cidade está a ser ocupado pelas sedes de grandes empresas, como a McDonald e a Dyson, pelo que os hotéis aí situados serão previsivelmente afetados por este grande impulso.

Outras subidas notáveis nos preços de hotéis na América do Norte:
Seattle, Boston +5%
Atlanta, São Francisco +2%
Nova Iorque, Vancouver, Los Angeles +3%

Preços de hotéis na região Ásia Pacífico em 2019
As maiores subidas:
Auckland +8%
Manila +5%

A Nova Zelândia está a ter um grande boom no sector hoteleiro como já não acontecia há décadas. Influenciados por um certo crescimento, as agências noticiosas locais anunciam que é provável que abram 120 novos hotéis num futuro próximo. Com as taxas de ocupação a atingirem os 90% nas maiores vilas e cidades, especialmente Auckland e Queenstown, será necessária mais oferta. A importância dos trabalhadores estrangeiros para o turismo da Nova Zelândia foi sempre um foco contínuo, porém, o país está a tomar medidas para impulsionar igualmente o turismo interno.

As Filipinas também estão a experienciar um enorme crescimento do turismo graças à melhoria das suas infraestruturas, concretamente, melhores ligações de voos domésticos que permitem aos turistas explorarem para lá de Manila. Em 2017, receberam a visita de seis milhões de turistas, uma subida de 11% no período de um ano. Como diz o ditado, toda a publicidade é boa publicidade, e o recente encerramento de Bocaray, devido a um número incomportável de visitantes, foi um chamariz para o turismo. Com abertura prevista para outubro de 2018 com um maior foco na sustentabilidade, os hotéis de Manila estarão preparados para receber um impulso quando os turistas regressarem à que foi nomeada melhor ilha do mundo de 2017 através do sistema de transportes da cidade.

Outras subidas notáveis nos preços de hotéis na região Ásia Pacífico:
Sydney, Melbourne, Bangalore, Hyderabad +4%
Tóquio, Kuala Lumpur, Jacarta, Osaka, Taipei +3%
Banguecoque, Ho Chi Minh +2%

 Preços de hotéis na América Latina em 2019
As maiores subidas:
Buenos Aires +21%
São Paulo +6%

De longe, a maior subida registada entre os 150 destinos do relatório da American Express foi Buenos Aires, com uma previsão na subida de preços de hotéis de uns impressionantes 21%. Neste caso, a inflação é a força motriz enquanto a Argentina enfrenta aumentos drásticos no seu custo de vida. Apesar das dificuldades económicas, o sector hoteleiro local prepara-se para receber um dinamismo renovado, com os investimentos para projetos de hotéis a alcançarem os 570 milhões de dólares (USD) até 2025. As reservas de viagens entre julho e dezembro de 2018 também deverão ter subidas de 25%.

São Paulo, a capital dos negócios do Brasil, também passa por um período de crescimento económico com um grande número de agências dos principais bancos LATAM a abrirem sede na cidade. A isso vem somar-se a notícia de que estão na forja 26 novos hotéis e que a cidade está empenhada em atrair mais hóspedes. O Carnaval é sempre uma época de grande atração. No ano passado, fez escalar os níveis de ocupação em 7%, algo que os hoteleiros deverão planear e incluir nas suas estratégias de preços de hotel.

Outras subidas notáveis nos preços de hotéis na América Latina:
Monterrey +5%
Cidade do México +3%

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